BALADILHA

By Gustavo de Paula Teixeira

A egrégia diva por que ando

A suspirar com amargor

É um ser olímpico, adorando,

Que tem da neve andina a cor

— Rosa que vem desabrochando

Virginalmente alva e taful,

Sob o esplendor de Abril sonhando

Com as pompas de uma aurora azul.

Quando ela exala, palpitando,

O aroma — filtro embriagador —

Eu, de hausto em hausto, o bebo, arfando,

Como um dulcíssimo licor.

Amo-a demais! E não sei quando

Essa princesa de Istambul

A cujos pés vivo chorando,

Me volverá o olhar azul!

Quando se oculta o sol chispando,

Encontro, pálido de amor,

A Flor do Bósforo cismando,

Na mão o rosto sedutor;

E assim, de branco, meditando,

A muçulmana estrela êxul

Recorda um cisne repousando

Imoto à flor de um lago azul...

Humilde curvo-me ao seu mando

Como um arbusto ao vento sul:

No entanto, ao ver-me soluçando,

Apenas move o leque azul!