Bálsamo de amor

By Delminda Silveira de Sousa

Tu, doce amor, só tu, nos dás a vida;

nossas mágoas cruéis, só tu minoras;

tu dás à face as rosas das auroras,

tu acendes no olhar a luz perdida!

Quando o tormento mais cruel trucida

a um pobre coração nas negras horas,

e quando, oh! alma, desolada choras,

as longas noites a velar, sentida,

— Coração, alma, vida de penas,

vós o sabeis: — quanto consolo, quanto,

traz o remédio que este mal serena! —

Um carinho... um desvelo... um beijo é tanto,

que, se ao martírio a sorte me condena,

— quero a dor como bálsamo tão santo!