Bandolim do luar

By João da Cruz e Sousa

Por entre a branca flor do jasmineiro

Cai o luar melancólico e casto,

Num leve, suave, trêmulo nevoeiro

E no silêncio taciturno e vasto

Exala-se um perfume, um doce cheiro...

Cai o luar melancólico e casto

Por entre a branca flor do jasmineiro.

Cai o luar melancólico e casto

Nas orvalhadas, nítidas verduras

E no silêncio taciturno e vasto,

Nas veludas, meigas espessuras

Cai o luar melancólico e casto,

Nas orvalhadas, nítidas verduras

E no silêncio taciturno e vasto.

Num leve, suave, trêmulo nevoeiro

Vagos aspectos límpidos cintilam

À lua cheia e branca de janeiro,

As ondas na ardentia irial fuzilam,

Num leve, suave, trêmulo nevoeiro

Vagos aspectos límpidos cintilam

À lua cheia e branca de janeiro.

E no silêncio taciturno e vasto,

Abre-se a flor dos íntimos desejos,

Cai o luar melancólico e casto

Numa lânguida música e beijos

E no silêncio taciturno e vasto

Abre-se a flor dos íntimos desejos,

Cai o luar melancólico e casto.

Exala-se um perfume, um doce cheiro

De rosas, lírios, heliotropos, fenos

Nesta lua amorosa de janeiro,

De candidez e de clarões serenos,

Exala-se um perfume, um doce cheiro,

De rosas, lírios, heliotropos, fenos

Nesta lua amorosa de janeiro.

Por entre a branca flor do jasmineiro

Vão em visões os sonhos perpassando,

Os fantasmas gentis do amor primeiro

Vaporosas roupagens ondulando

Através do luar o mensageiro

Dos sonhos, das visões que vão passando

Por entre a branca flor do jasmineiro...