Bandolim do luar
Por entre a branca flor do jasmineiro
Cai o luar melancólico e casto,
Num leve, suave, trêmulo nevoeiro
E no silêncio taciturno e vasto
Exala-se um perfume, um doce cheiro...
Cai o luar melancólico e casto
Por entre a branca flor do jasmineiro.
Cai o luar melancólico e casto
Nas orvalhadas, nítidas verduras
E no silêncio taciturno e vasto,
Nas veludas, meigas espessuras
Cai o luar melancólico e casto,
Nas orvalhadas, nítidas verduras
E no silêncio taciturno e vasto.
Num leve, suave, trêmulo nevoeiro
Vagos aspectos límpidos cintilam
À lua cheia e branca de janeiro,
As ondas na ardentia irial fuzilam,
Num leve, suave, trêmulo nevoeiro
Vagos aspectos límpidos cintilam
À lua cheia e branca de janeiro.
E no silêncio taciturno e vasto,
Abre-se a flor dos íntimos desejos,
Cai o luar melancólico e casto
Numa lânguida música e beijos
E no silêncio taciturno e vasto
Abre-se a flor dos íntimos desejos,
Cai o luar melancólico e casto.
Exala-se um perfume, um doce cheiro
De rosas, lírios, heliotropos, fenos
Nesta lua amorosa de janeiro,
De candidez e de clarões serenos,
Exala-se um perfume, um doce cheiro,
De rosas, lírios, heliotropos, fenos
Nesta lua amorosa de janeiro.
Por entre a branca flor do jasmineiro
Vão em visões os sonhos perpassando,
Os fantasmas gentis do amor primeiro
Vaporosas roupagens ondulando
Através do luar o mensageiro
Dos sonhos, das visões que vão passando
Por entre a branca flor do jasmineiro...