Batismo de ânsias
Carlos, como me vem à idéia o que sofreste,
Na praia da amargura aspérrima da vida,
Desde a quadra infantil, em que só mereceste
Como prova da sorte, a terra ressequida...
Carlos, vêm desde a infância, as urzes que colheste...
E, pela mocidade, em vez de embevecida
De sonhos, a tua alma andou (e não tremeste!)
Desvairada, a chorar, quase louca e perdida!
Eu me lembro de ti, Carlos, seguidamente,
Porque comigo andaste e em minh’alma somente
Vias, como num lago, os teus sonhos imersos...
Os mesmos que ainda vês, nas horas em que cismo
No nosso atormentado e sinistro batismo
De ânsias, pela tortura artística dos versos!