BILHETE POSTAL

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Ilustre professor da Carta Aberta: — Almejo

Que uma alimentação a fiambre e a vinho e a queijo

Lhe fortaleça o corpo, e assim lhe fortaleça

As mãos, os pés, a perna et coetera e a cabeça.

Continue a comer como um monstro no almoço,

Inche como um balão, cresça como um colosso

E vá crescendo e vá crescendo e vá crescendo,

E fique do tamanho extraordinário e horrendo

Do célebre Titão e do Hércules lendário;

O seu ventre se torne um ventre extraordinário,

Cheio do cheiro ruim de fétidos resíduos;

As barrigas então de cinquenta indivíduos

Não poderão caber na sua ampla barriga.

Não mais lhe pesará a desgraça inimiga,

O seu nome também não será mais Antônio.

Todos hão de chamá-lo o colosso, o demônio,

A maravilha das brilhantes maravilhas.

As hienas carniçais, as leoas e as novilhas,

Diante do seu vigor recuarão e diante

Do estrídulo metal de sua voz atroante

De certo, correrão mansas e espavoridas.

Se as minhas orações, forem, pois, atendidas,

O senhor há de ser o Teseu do universo.

Seja um gigante, pois; não faça, porém, verso

De qualidade alguma e nem também me faça

Artigos tresandando a bolor e a cachaça,

Ricos de incorreções e de erros de gramática,

Tenha vergonha, esconda essa tendência asnática,

Que somente possui o seu cérebro obtuso —

Esconda-a, e nunca mais se exponha a fazer uso

Da pena, e nunca mais desenterre alfarrábios.

Os tolos, em geral, são tidos como sábios

Quando querem calar-se e reprimir-se sabem,

O senhor é papalvo e os papalvos não cabem

No centro literário e no centro político.

Respeite-me, portanto!