BORBOLETAS

By Delminda Silveira de Sousa

Entre botões de rosas desbrochantes

Elas vão-se, elas vêm desocupadas,

D’aromas e doçura embriagadas

Ao sol abrindo as asas palpitantes.

Sobre a relva cintilam diamantes

Rubis, topázios, verdes esmeraldas,

E as borboletas voam fascinadas

De flor em flor, ligeiras, inconstantes.

Assim, no peito, a rubra flor humana

Abre da esperança que a engana

Aos sonhos de dulcíssima ilusão;

Mas como as borboletas irisadas

Vão-se também as ilusões douradas

Espinhos só restando ao coração!