Branco e azul

By Delminda Silveira de Sousa

De branco e azul como as flores,

ó meiga Elvira, te vestes;

amas acaso estas cores,

por serem cores celestes?

Olhando o Céu da manhã

tu viste a vagar talvez

a branca nuvem louçã

que em pranto, além se desfez;

E amaste as mimosas cores

da nuvem, do puro Céu;

como germinam amores

tão castos no seio teu!

Tu és, mimosa donzela,

nas trevas densas do mundo,

a branca rosa singela

no val’escuro e profundo.

Também a Virgem Celeste,

meiga Flor da Judeia,

de azul e branco se veste,

nas graças divinas cheia!

É azul o mar ondeante

coberto d’alvas espumas;

azul o monte distante,

sob um véu de finas brumas.

Quando recordo as saudosas

tardes minhas lá do Sul,

eu sempre as vejo, formosas,

envoltas num véu de azul!

E por isso amo também

a doce e pura harmonia

das duas cores que têm

tanta beleza e poesia!

Ai! bem me lembro o carinho

com que a mãe que eu tanto amava,

o meu branco vestidinho

de fita azul enfeitava!...

Eu era criança ainda

E não conhecia o pranto;

minha mãe... (saudade infinda!)

tu eras meu doce encanto!

Oh! mais que tu, meiga Elvira,

Eu amo estas duas cores,

cuja lembrança m’inspira

saudade dos meus amores!