Brumosa

By João da Cruz e Sousa

Inglesa! Por toda a parte

Onde vás, chamam-te inglesa

E cobrem de pompas de arte

A pompa dessa beleza.

Mas tu, num soberbo encanto

De nevada e fria rosa,

Ó meu pálido amaranto!

Não és inglesa, és brumosa.

A tua carne alvorece

Em lactescências de opala,

Brilha, fulge e resplandece

E um fino aroma trescala.

És a límpida camélia

Nos jardins reais plantada

Ou essa lânguida Ofélia

Melancólica e nevada.

O teu corpo imaculado,

Flor de místicas origens,

Parece um luar velado

E lembra florestas virgens.

Com o teu amor ilumina

A minh’alma envolta em crepe,

Ó vaporosa neblina,

Ó branca e gelada estepe!