Bulling

By Lyubochka Lungu

Bulling

Written 2025-11-19

Na minha infância, a noite escurecia antes do sol,

E o quintal rugia como uma fera faminta — o bullying era normal,

Cada palavra cortava como lâmina na pele,

As humilhações caíam como cinzas

De uma fogueira de raiva alheia.

Eu caminhava por um corredor estreito da vida,

Onde as paredes eram frias,

E vozes atrás de mim — altas.

E cada risada deles quebrava meus ossos de silêncio.

Minha irmã…

Ela levou o rapaz que me iluminava,

Como a única lâmpada num quarto escuro.

Para ela — coroada, que agora se perca com ele,

Para mim, só sobraram migalhas de ar

Para digerir a traição.

Ela — filha de alcoólatra,

Acostumada a tomar o que não é dela,

Para depois perder no jogo ou

Beber seu destino até o fundo.

E eu?

Eu me curava com conhaque,

Pois o que mais restava,

Quando o coração pedia silêncio

E a alma estilhaçava?

Você bebe — e se despede em silêncio

Daquilo que nunca foi seu.

Mas o tempo seguiu em frente.

Cresci, como grama rompendo o concreto.

Ternopil lembra a noite

Quando um foguete atingiu um prédio —

As pessoas dormiam, e o céu as traiu.

E eu também lembro

Como a guerra invade a casa sem bater,

O cheiro de pó misturado com orações,

Como a manhã de repente vira sirene.

O mundo virou uma estrada longa,

Onde não se sabe o que cairá amanhã:

Pedra, foguete ou notícia de perda.

Mas eu seguia.

Não sou daquelas que quebram.

E uma vez, em sonho, vi a Transilvânia —

Terra das minhas raízes,

Onde velhos castelos resistem ao vento,

Como meu caráter

Contra todos os golpes do destino.

Lá o sangue da minha família é denso e antigo,

Lá meu pai não é fantasma,

Mas raiz que me segura no chão,

Quando o mundo desmorona.

De lá trouxe firmeza.

De lá — noites que não assustam.

De lá — estrada que lembra cada passo meu.

E agora eu vivo.

O passado amargo — não é fardo, é experiência.

Que minha irmã aprenda a amar seu homem —

Esse é seu fardo, sua luta, sua escolha.

Eu ainda procuro meu destino,

Não roubado, não substituído,

Mas honesto.

Vou colecionar não corações, mas tecnologia:

Tablet à prova de choque Oukitel,

Telefone da mesma marca —

Não preciso de iPhones.

Preciso de força,

A força que tenho em mim mesma.

E mesmo que o destino às vezes cale,

Eu pergunto baixinho:

Ó destino, destino, você me ouve?

Não invadirei a vida alheia,

Não roubarei amor alheio,

Pois tenho meu próprio caminho —

E ele já se estende à minha frente,

Escuro, pesado,

Mas meu.