BUSCANDO POR OUTRA PARTE O REMEDIO PARA SEU MAL, SE DESCULPARAM OUTRAS COM O MES...
Que febre têm tão tirana
as Moças deste lugar,
que se estão sempre a sangrar
na veia d’arca conana?
A doença é tão insana,
frenética, e aluada,
que a cada lua passada
torna logo o sangue a vir
sem a veia se ferir,
porque está sempre aventada.
Eu nunca pude alcançar,
como elas ficam sangradas,
sem levarem lancetadas,
antes fogem de as levar:
cada mês as vem sangrar
com seus dous cornos a Lua,
e sem lanceta, nem pua
o sangue por si se escorre,
sua, e parece, que corre,
corre, e parece, que sua.
O sangue em bom português
com letras bem rubricadas
depois de muitas penadas
põe na fralda “aqui foi mês”:
chega um galante cortês
ao tempo do Amor então
a fazer adoração
e qual sacristão maior
descobre o painel de Amor
e acha uma degolação.
Isto sem tirar, nem pôr
me sucedeu sempre a mim
no grande Pernamerim,
onde está o templo de Amor:
e entrando no interior
do templo, que eu fabriquei,
um rio de sangue achei,
pus-me então a esperar,
que vaze para o passar,
não vazou, nunca o passei.