Canções

By Delminda Silveira de Sousa

No rosal do meu vergel

fez seu ninho o beija-flor;

— os lírios davam-lhe mel,

— as rosas davam-lhe amor.

Quando a aurora se acordava

no seu bercinho doirado,

e as lindas rosas tirava

do cabelo desatado,

no brando ninho mimoso

acordava o beija-flor,

e bebia o mel gostoso,

e dava o beijo de amor.

Abriam botões de rosa

como lábios de criança;

na verde planta mimosa

abriam lírios d’esperança.

E dentro do ninho brando,

por sobre flocos de paina,

pousava de quando em quando

terno amor em doce faina.

No coração pequenino

da maternal avezita,

também o afeto divino,

o amor materno — palpita!

E lá, quais níveos botões

das flores dos laranjais,

guardavam dois corações

os dois ovinhos iguais.

Um dia a aurora sorriu,

a Primavera chegava!

O sol mil rosas abriu,

O sol que o ninho beijava!

Depois... que ternos pipilos

do ninho sobem aos Céus!

As aves vinham de ouvi-los,

e os levavam até Deus!

Era o hino da inocência,

era a homenagem do amor,

bendizendo a Providência,

exalçando o Criador!