CANTATA VII
Onde, ó Nise divina,
Onde te encontrarei, bela Pastora!
O monte, o prado, o vale ando girando;
Nise? Nise? Suspiro. A meus clamores
O eco apenas me responde. Tudo
Informa, ó Nise, de que ausente vives;
Que outro campo já pisas,
Outras ovelhas, outro gado reges;
Que desprezas aquela choça amada,
Junto à nossa ribeira fabricada.
Ah! Se é certo que Nise
Nestes campos faltou! Mas que duvido!
Sem cor a planta, a flor amortecida,
O ar escuro, o sol sem luzimento,
Este monte, este rio, aquele prado,
Me diz que Nise (oh! Céus!) lhe tem faltado.
Nise? Nise? Meu bem? Ah! se inda aos longes
Chega o clamor de meus suspiros, sabe
Que vives na minha alma,
Na minha alma que adora
Tão belo encanto, tão gentil Pastora.
Vou pisando esta floresta,
E os teus passos vou seguindo;
Cego Amor vai conduzindo,
Como norte, a minha fé.
Vejo a flor no campo alegre,
Vejo a luz nos Céus tão bela;
Nise, digo, é esta estrela;
Nise, digo, esta flor é.
Mas ai! E que mal chego a conhecer-me
No delírio que ocupa os meus sentidos!
Como, ó Nise, imagino,
De meus olhos ausente,
Que lembrada estarás da fé constante,
Que um tempo me juraste;
Naquele tempo, quando
Em tua companhia
Toda a montanha, ó Nise, a cada instante,
A cada hora enfim, cada momento,
Me via (oh! doce estado!)
Já conduzindo o teu rebanho ao prado,
Mais ditoso que todos os do campo,
Quando o Sol mais ardia,
As águas a beber da fonte fria;
Ou já sendo o calor do Sol mais brando,
Ao curral, onde o tinha então cercado,
Menos dos cães, do que de mim guardado!
Quantos vezes (oh! Céus!) quantas
Digo ao vale, digo ao monte:
Viste a Nise? Aquela fonte
Testemunha pode ser.
Mudo o vale, o monte mudo,
Tudo está suspenso; tudo
Me parece que responde:
Eu não vi Nise, o teu bem.