CANTO II
Isabel, que do mundo fugiste,
Tão brilhante, tão bela e tão pura
Como o sol do horizonte, deixando
Sobre o mundo cair treva escura;
Isabel, que do mundo fugiste
Como foge louçã Primavera,
Permitindo que o Inverno desbote
Vastos campos que verdes fizera;
Isabel, que do mundo fugiste
Como foge dos ares no véu
Belo Íris, que aos homens declara
A aliança da terra e do céu;
Se da noite rompendo os negrumes
Torna o sol no horizonte a nascer,
Com a volta trazendo os prazeres
Que, morrendo, fizera morrer;
Se voltando a gentil Primavera
À natureza dá forças, dá vida,
Que perdera de frio gelada
Do inverno na capa envolvido;
Se do Íris a cor tão mimosa
Para sempre se não desvanece,
E depois de nos céus se perder,
Outras vezes nos céus aparece...
Íris, Sol, Primavera Gentil,
Vem de novo na terra brilhar:
Tua augusta presença dá vida,
Tua ausência nos pode matar!...
Vestem noite teus filhos, teu trono,
Traja noite teu povo também;
Chovem prantos dos olhos de todos,
Nem verdumes os campos já têm!
Íris, Sol, Primavera Gentil,
Vem de novo na terra brilhar;
Tua augusta presença dá vida,
Tua ausência nos pode matar!...
Belas flores murcharam tristonhas;
Tem os troncos tristonho prospecto;
Águas turvas sem vida derrama
Na enlutada Campânia o Sabeto.
Íris, Sol, Primavera Gentil,
Vem de novo na terra brilhar:
Tua augusta presença dá vida,
Tua ausência nos pode matar!...
Mas, inúteis são preces aos mortos...
Nunca mais, nunca mais voltará
Cá dos homens ao reino infeliz
Quem no reino dos anjos está.
Ri-te, ri-te nos céus, alma santa;
Goza, goza eternal f’licidade!...
— Isabel deve rir-se na Glória,
Deve o mundo chorar de saudade!!!... —