CANTO VI

By Laurindo José da Silva Rabelo

Na primavera da vida

Viu o mundo, sobre o trono,

Isabel aparecer

Tão pura como a inocência,

Tão bela como o prazer.

Sua alma não era humana,

Era um anjo, que do céu

Todas as graças vestia;

Seu corpo templo sagrado,

No qual o anjo vivia.

Mas o brilho desse templo

O tempo, sempre inconstante,

Pouco a pouco destruiu;

Sua bela arquitetura

A ruínas reduziu.

O anjo, que viu caído,

Em terra desmoronado,

Seu asilo encantador,

Foi buscar outra morada

Na mansão do Criador.

Lá ficou, e para sempre!

E o tempo, algoz cruento,

Só a destroços votado,

Vai consumir as ruínas

Do edifício sagrado.

E a cinzas reduzir

Aquela que viu o mundo

O régio ceptro reger,

Tão pura como a inocência,

Tão bela como o prazer.

Mas que importa? pode o tempo

Pela morte auxiliado,

Sua existência ferir;

Há de lá na sepultura

Os seus restos consumir.

Porém triunfam do tempo

Suas heróicas virtudes;

Isabel vive na glória,

Isabel viverá sempre

Do universo na memória.