CASA PATERNA

By Gustavo de Paula Teixeira

Da velha casa em que a manhã da vida

Passei — conservo uma lembrança exata:

Antes de eu vir ao mundo foi erguida

Perto da serra, quase ao pé da mata.

Dá para o sul a frente enegrecida;

Ao lado, para um poente de escarlata,

Janelas donde, na estação florida,

Se aspira o cheiro dos jasmins de prata.

Perto, o bambual em cujo seio amigo

Cantam graúnas, e o pomar antigo

Com melros, tiés e gurundis em bando.

O ribeirão, o cafezal, a horta...

Ah! que saudade o coração me corta

Do lar querido que deixei chorando!