Casal feliz

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Rancho aberto, na praia. O clarão da alvorada

Dá-lhe às telhas uns tons levemente sombrios...

E já à porta está uma velha assentada,

Sem temer da invernia os bruscos arrepios.

Cose a rede que fora, à noite, arrebentada

Nas pedras onde o mar é todo corrupios.

E o marido descansa a alma fatigada,

E o corpo cujos pés estão murchos e frios.

O silêncio, em redor, tem eflúvios de prece...

E a velha que ali cose, uma santa parece;

E o homem lembra a vida inefável de um santo

E pelo dia afora e quando chega a noite,

E renasce a manhã, não há mal que os açoite,

E os faça derramar uma gota de pranto.