CELEBRA A CARREYRA QUE DEO HUM CABOCLO A HUM SUGEYTO, QUE ACHOU COM HUMA NEGRINH...
Arre lá co Aricobé,
como ele é corredor,
porque fiz co pecador,
o que já com São Tomé:
o pobre teve bom pé,
e esta parte não é má,
pois se ao chinelo não dá,
e no fugir não insiste,
creio, que diria o triste,
se isto assim é, arre lá.
O pobrete inadvertido
de avançada tão medonha,
diz, que não tendo vergonha,
só então se viu corrido:
e sendo a pulso seguido
do cioso Paiaiá,
sem dizer cobé, nem pá,
gritava por toda a rua,
se te deixo a fêmea tua,
que me queres? arre lá.
Não deu por isto o Tapuia
cortesão do Santo Sé,
que apertava mais o pé,
só para lhe dar na cuia:
vendo o pobre esta aleluia,
que tanto susto lhe dá,
ajuntava a perna à pá
para mais veloz correr,
que quanto isto de morrer
faz mui mal cabelo cá.
Nada disto lhe valeu,
nem o dar tanta passada,
porque quando nada nada
alguma cousa lhe deu:
na fugida não perdeu,
mais que o que se falará:
se bem, que mais sentirá
que se diga em todo o ano,
que o Tapuia desumano
sabe mais do que cará.
O Frecheiro a pouco custo
dizia, porque é magano,
o cão livrou-se do dano,
mas não se livrou do susto:
irracionalmente injusto
o vulgo me chamará,
mas eu pouco se me dá,
porque no caso presente
quis, que conhecesse a gente,
se é gente o Barabauá.
Não é de beiço furado
o cabocolo maligno,
que me pareceu menino
só em ser demasiado:
se bem, que por ter gostado
do que qualquer gostará,
quem o desculpe, haverá,
no cometer este excesso,
que eu também morro (confesso)
por este có mangará.
Com que afagos a negrinha
ao pobrete trataria,
uma onde se lhe ia,
e outra onda se lhe vinha,
medrosa estava a pretinha,
que nunca a cor mudará,
e como não era má,
que a qualquer outra acontece,
não quis o pobre morresse
entre mil soluços cá.
Este gostinho roubou
o Tatu do Carapai,
pois sem dançar o chegai,
no pobrezinho chegou:
porque logo que os achou
um de lá, outro de cá,
disse a ambos arre lá,
na minha casa, velhaca,
vos tira cá o meu faca,
minha comer catucá.
A negra, que nisto estava,
já que fazer não sabia,
porque se de um gosto ria,
também de um susto chorava:
desta maneira gritava
“Paí na matá, a lá lá,
aqui sá tu mangalá,
saiba Deus e todo o mundo,
que me inguizolo mavundo
mazanha, mavunga, e má”
O Tapuia é mui valente,
pouco digo, valentão,
pois no centro do sertão
fez já fugir muita gente:
e se na ocasião presente
se diz, que costas virara
(cousa, em que qualquer repara)
é, pois que a discursar entro,
porque fora do seu centro
jamais cousa alguma pára.
Também diz, que se deu costas
já depois do susto feito
foi, porque certo sujeito
de o prender fazia apostas:
entre pergunta, e respostas
diz mais, que fugira só,
porque na garganta um nó
(que este bem cego seria)
se lhe punha, quando ouvia
aripotá treminó.
Ao Cabocolete iníquo,
antes que em raiva se engafe
lhe fez o cu tafe tafe,
e a bunda fez tico tico:
estava feito um Perico,
porque aqui, e ali se escancha,
sentindo-se muito a mancha,
de quando preso o levavam,
dos rapazes, que gritavam,
pois que é isso? vai na lancha!