CELEBRA O POETA À HUMA GRACIOSA DONZELLA, E NÃO MENOS FORMOSA DE MARAPE CHAMADA ...
Vi-me Antônia, ao vosso espelho,
e com tal raiva fiquei,
que não sei, como julguei
por linda, a quem me faz velho:
mas tomei melhor conselho
de então não enraivecer,
que se do sol ao correr
vai murchando o Girassol,
que muito, que o vosso sol
me fizeste envelhecer.
O com que mais me admirais,
é, que com tanto arrebol
para vós não sejais sol,
pois sois flor, e não murchais.
Como os passos naturais
do Sol pela esfera pura
mo legam toda a criatura,
e o sol sempre se remoça,
assim mesmo não faz mossa
em si o sol da formosura.
Tantos anos sol sejais,
que com giros soberanos
enchais dos mortais os anos,
e os vossos nunca os enchais:
a todos envelheçais,
como é próprio na oficina
da luz sempre matutina,
sintam do sol as pisadas
as idades mais douradas,
vós sejais sempre menina.