Celeste

By João da Cruz e Sousa

Lembra-me ainda — ao lado de um repuxo,

Pela brancura de um luar de agosto,

O teu maninho, um loiro pequerrucho

Brincava, rindo, te afagando o rosto...

Lembra-me ainda — as sombras do sol posto,

Numa saleta sem brasões de luxo,

De alguns bordados de fineza e gosto

Delineavas o gentil debuxo...

E o gás que forte e cintilante ardia,

Te iluminava, te alagava... ria...

Da luz ficavas no imponente abrigo.

E agora... deixa que ao cair da noite,

Esta lembrança dentro de mim se acoite,

Como a andorinha no telhado amigo!