Cemitério em ruínas

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Na praia triste, triste, um cemitério em ruínas.

Aqui, cruzes ao chão, caídas de cansaços;

E até, cruzes erguendo ao céu os frágeis braços,

Servindo-lhes de manto as frígidas neblinas.

À sombra do verdor das altas casuarinas,

E às vezes, pela luz dos mórbidos mormaços,

Rola a caveira branca; e, em largos estilhaços,

Bolam pela poeira as vértebras franzinas.

Plena desolação no antigo cemitério!

E o mocho cujo olhar é um fúnebre mistério,

Nem mora ali! Nem vai, ali, ninguém rezar!

Ah! triste esquecimento! Ah! triste esquecimento!

Entre as cruzes, porém, ouço rezar o vento,

E ouço rezar, na praia, a alma verde do mar!