CÉU DESERTO

By Gustavo de Paula Teixeira

Percorro toda a habitação vazia:

A sala azul, os amplos corredores

Onde, nuns lábios cheios de ambrosia,

Do amor colhi as mais preciosas flores!

A imagem dela — sombra fugidia

Que julgo ouvir, falando-me de amores, —

Atirando-me um beijo que inebria,

Se desvanece em espirais de olores...

Levaram tudo: os quadros, os espelhos

E a cinzelada lâmpada custosa

Que junto dela já me viu de joelhos.

Só eu fiquei neste ermo céu fechado

Sofrendo o horror da Plaga Tenebrosa,

Onde já fora bem-aventurado!