CHEGANDO O POETA A VILLA DE SAN FRANCISCO DESCREVE OS DIVERTIMENTOS, QUE ALI PAS...

By Gregório de Matos Guerra

Há cousa como estar em São Francisco,

Onde vamos ao pasto a tomar fresco,

Passam as negras, fala-se burlesco,

Fretam-se todas, todas caem no visco.

O peixe roda aqui, ferve o marisco,

Come-se ao grave, bebe-se ao tudesco,

Vêm barcos da cidade com o refresco,

Há já tanto biscouto como cisco.

Chega o Faísca, fala, e dá um chasco,

Começa ao dia, acaba ao lusco e fusco,

Não cansa o paladar, rompe-me o casco.

Joga-se em casa em sendo o dia brusco,

Vem chegando-se a Páscoa, e se eu me empasco,

Os lombos de um Tatu é o pão, que busco.