CHICA OU FRANCISCA HUMA DESENGRAÇADA CRIOLLA, QUE CONVERSAVA COM O POETA E SE AR...

By Gregório de Matos Guerra

Estais dada a Berzabu,

Chica, e não tendes razão,

sofrei-me Maria João,

pois eu vos sofro a Mungu:

vós dais ao rabo, e ao cu,

eu dou ao cu, e ao rabo,

vós com um Negro, um diabo,

eu com uma Negrinha brava,

pois fique fava por fava,

e quiabo por quiabo.

Vós heis de achar-me escorrido,

não vo-lo posso negar,

eu também o hei de achar

remolhado, e rebatido

assim é igual o partido,

e mesmíssima a razão,

porque quando o vosso cão

dorme co’a minha cadela,

que fique ela por ela,

diz um português rifão.

Vós dizeis-me irada e ingrata,

co’a mão na barguilha posta

“eu me verei bem disposta!”

e eu digo-vos: “Quien se mata?”

eu vou-me à putinha grata,

e descarrego o culhão,

vós ides ao vosso cão,

e regalais o pasmado,

leve ao diabo enganado,

e andemos co’a procissão.

Chica, fazei-me justiça,

e não vo-la faça eu só,

eu vos deixo o vosso có,

vós deixai-me a minha piça:

e se o demo vos atiça

mamar numa e noutra teta,

pica branca, e pica preta,

eu também por me fartar

quero esta pica trilhar

numa greta, e noutra greta.

Dizem, que o ano passado

mantínheis dez fodilhões

branco um, nove canzarrões,

o branco era o dizimado,

o branco era o escornado,

por ter pouco, e brando nabo;

hoje o vosso sujo rabo

me quer a mim dizimar,

que não hei de suportar

ser dízimo do diabo.

Chica, dormi-vos por lá,

tendo de negros um cento,

que o pau branco é corticento

e o negro é jacarandá:

e deixai-me andar por cá

entre as negras do meu jeito,

mas perdendo-me o respeito,

se o vosso guardar quereis,

contra o direito obrareis,

sendo amiga do direito.

Sois puta de entranha dura,

e inda que amiga do alho

sois uma arranha-caralho

sem carinho, nem brandura:

dou ao demo a puta escura,

que estando a todas exposta,

não faz festa ao de que gosta;

dou ao demo o quies vel qui,

e não para quem a encosta.

Quem não afaga o sendeiro,

de que gosta, e bem lhe sabe,

vá-se dormir cuma trave,

e esfregue-se cum coqueiro:

seja o cono presenteiro,

faça o mimo o agasalho

ao membro, que lhe dá o alho,

e se de carinho é escassa,

ou vá se enforcar, ou faça

do seu dedo o seu caralho.