CHORA O POETA A MORTE DE HUM SEO FILHO, CUJO PEZAR DEO MOTIVO A PRIMEYRA OBRA SA...

By Gregório de Matos Guerra

Querido Filho meu, ditoso esprito,

Que do corpo as prisões tens desatado,

E por viver no Céu tão descansado,

Me deixaste na terra tão aflito.

Tu mais do que teu Pai és erudito,

Muito mais douto, e mais exprimentado,

Pois por ser Anjo em Deus predestinado

Deixaste de homem ser talvez precito.

Se de achaque de um Sol, do mal de um dia

Entre um doce suspiro, e brando ronco

De toda a flor acaba a louçania:

Que muito, ó Filho, flor de um pau tão bronco

Que acabe a flor na dócil infancia.

E que acabando a flor, dure inda o tronco.