CHORA O POETA A MORTE DE HUM SEO FILHO, CUJO PEZAR DEO MOTIVO A PRIMEYRA OBRA SA...
Querido Filho meu, ditoso esprito,
Que do corpo as prisões tens desatado,
E por viver no Céu tão descansado,
Me deixaste na terra tão aflito.
Tu mais do que teu Pai és erudito,
Muito mais douto, e mais exprimentado,
Pois por ser Anjo em Deus predestinado
Deixaste de homem ser talvez precito.
Se de achaque de um Sol, do mal de um dia
Entre um doce suspiro, e brando ronco
De toda a flor acaba a louçania:
Que muito, ó Filho, flor de um pau tão bronco
Que acabe a flor na dócil infancia.
E que acabando a flor, dure inda o tronco.