Clarim!

By João da Cruz e Sousa

Como sabres flamejantes

A outros quentes do sol,

Resplandecei triunfantes,

Como sabres flamejantes

E como um facho ou farol!

Ó moços! nos peitos bravos

Vibre o clarim d’avançar!

Nem da Dor sintais os travos,

Ó moços! nos peitos bravos

Feitos só para lutar!

Desfraldadas as bandeiras

Das esperanças vitais,

Ergam-se almas altaneiras,

Desfraldadas as bandeiras

Das nobres glórias marciais.

Que a fronte vos resplandeça

Nos prélios virgens do Bem!

Enquanto a esperança cresça

Que a fronte vos resplandeça

Para além e para além!

Que para além, no futuro,

É morte, é gozo, é viver!

E vós sois o palinuro

Que para além no futuro,

Tendes um mar a vencer,

De metralhas em metralhas

A profundez da razão

Abra as heroicas batalhas

De metralhas em metralhas

Com o bronze do coração!

As avalanches dos fortes

São como os leões do Amor...

E para afrontar as mortes

As avalanches dos fortes

Riem, cantam sob a Dor!

Vibre, pois, eternamente

Em sons d’alerta o clarim

Que acorda a falange ardente;

Vibre, pois, eternamente

Pelos séculos, sem fim!

Através dos sons gloriosos

Desse clarim marcial,

Da luz nos cristais ruidosos,

Através dos sons gloriosos

Rompe a aurora boreal!

Com flores em catadupa,

Em catadupa de sóis,

Do Mazepa na garupa,

Com flores em catadupa

Glorificai os heróis!

Os hinos de uma vitória

São de flores e de luz!

E na conquista da glória

Os hinos de uma vitória

Têm o esplendor de Jesus!

Com ramos, palmas e flores,

Na campanha varonil,

Ante o rufar dos tambores,

Com ramos, palmas e flores,

Combatei pelo Brasil!

Nua a espada, altivo o peito,

Desassombrados, correi!

E em nome do deus — Direito —

Nua a espada, altivo o peito,

Com o sangue heroico, vencei!

Que esse ardor de antigos Gracos

Enflore os vossos lauréis;

Porque não é para os fracos

Que esse ardor de antigos Gracos

Vem dos tempos através!

Mais alto do que as montanhas

Desfraldai às amplidões

O pavilhão, nas campanhas

Mais alto do que as montanhas,

Sobre os outros pavilhões!

Vamos! é tempo! à vanguarda!

Erguida ao espaço a cerviz!

E dentre os bransões da farda

Vamos! é tempo! à vanguarda!

É tempo de ser feliz!

Que se enraíze na almas

O valor que os bravos fez

E que reverdeça em palmas,

Que se enraíze nas almas

Toda a força da altivez!

Os fulgentes astros de oiro,

Num voo d’águia, arrancai!...

E da História no tesoiro

Os fulmegentes astros de oiro,

Como frutos, semeai!

Os fundos prantos vertidos,

Em meio ao vosso troféu,

Pelos mortos e feridos,

Os fundos prantos vertidos

Tornam-se em astros no céu!

São como estrelas de arados,

Da crença no reflorir,

Da Pátria os filhos amados

São como estrelas de arado

Sobre as terras do porvir!