Clarim!
Como sabres flamejantes
A outros quentes do sol,
Resplandecei triunfantes,
Como sabres flamejantes
E como um facho ou farol!
Ó moços! nos peitos bravos
Vibre o clarim d’avançar!
Nem da Dor sintais os travos,
Ó moços! nos peitos bravos
Feitos só para lutar!
Desfraldadas as bandeiras
Das esperanças vitais,
Ergam-se almas altaneiras,
Desfraldadas as bandeiras
Das nobres glórias marciais.
Que a fronte vos resplandeça
Nos prélios virgens do Bem!
Enquanto a esperança cresça
Que a fronte vos resplandeça
Para além e para além!
Que para além, no futuro,
É morte, é gozo, é viver!
E vós sois o palinuro
Que para além no futuro,
Tendes um mar a vencer,
De metralhas em metralhas
A profundez da razão
Abra as heroicas batalhas
De metralhas em metralhas
Com o bronze do coração!
As avalanches dos fortes
São como os leões do Amor...
E para afrontar as mortes
As avalanches dos fortes
Riem, cantam sob a Dor!
Vibre, pois, eternamente
Em sons d’alerta o clarim
Que acorda a falange ardente;
Vibre, pois, eternamente
Pelos séculos, sem fim!
Através dos sons gloriosos
Desse clarim marcial,
Da luz nos cristais ruidosos,
Através dos sons gloriosos
Rompe a aurora boreal!
Com flores em catadupa,
Em catadupa de sóis,
Do Mazepa na garupa,
Com flores em catadupa
Glorificai os heróis!
Os hinos de uma vitória
São de flores e de luz!
E na conquista da glória
Os hinos de uma vitória
Têm o esplendor de Jesus!
Com ramos, palmas e flores,
Na campanha varonil,
Ante o rufar dos tambores,
Com ramos, palmas e flores,
Combatei pelo Brasil!
Nua a espada, altivo o peito,
Desassombrados, correi!
E em nome do deus — Direito —
Nua a espada, altivo o peito,
Com o sangue heroico, vencei!
Que esse ardor de antigos Gracos
Enflore os vossos lauréis;
Porque não é para os fracos
Que esse ardor de antigos Gracos
Vem dos tempos através!
Mais alto do que as montanhas
Desfraldai às amplidões
O pavilhão, nas campanhas
Mais alto do que as montanhas,
Sobre os outros pavilhões!
Vamos! é tempo! à vanguarda!
Erguida ao espaço a cerviz!
E dentre os bransões da farda
Vamos! é tempo! à vanguarda!
É tempo de ser feliz!
Que se enraíze na almas
O valor que os bravos fez
E que reverdeça em palmas,
Que se enraíze nas almas
Toda a força da altivez!
Os fulgentes astros de oiro,
Num voo d’águia, arrancai!...
E da História no tesoiro
Os fulmegentes astros de oiro,
Como frutos, semeai!
Os fundos prantos vertidos,
Em meio ao vosso troféu,
Pelos mortos e feridos,
Os fundos prantos vertidos
Tornam-se em astros no céu!
São como estrelas de arados,
Da crença no reflorir,
Da Pátria os filhos amados
São como estrelas de arado
Sobre as terras do porvir!