Claro e escuro

By João da Cruz e Sousa

Dentro — os cristais dos tempos fulgurantes,

Músicas, pompas, fartos esplendores,

Luzes, radiando em prismas multicores,

Jarras formosas, lustres coruscantes,

Púrpuras ricas, galas flamejantes,

Cintilações e cânticos e flores;

Promiscuamente férvidos odores,

Mórbidos, quentes, finos, penetrantes.

Por entre o incenso, em límpida cascata,

Dos siderais turíbulos de prata,

Das sedas raras das mulheres nobres;

Clara explosão fantástica de aurora,

Deslumbramentos, nos altares! — Fora,

Uma falange intérmina de pobres.