COM ESTA RESPOSTA SE AVIVARAM NA DAMA OS INCENDIOS DE AMOR E NO POETA SE AVIVARAM OS QUILATES DESTA HONRA.
Não me culpes, Filena, não de ingrato,
Se notado hás de mim tanta esquivança;
Por que a força do fado em tal mudança
Ou inclina o desdém, ou move o trato.
Mas que importa, se quando olvidar trato
Teus amores por lei, que não se alcança,
Dura impressa no amor tua lembrança;
Vive n’alma estampado teu retrato.
Os efeitos combatem da vontade
Amoroso desdém zelosa pena,
Produzindo tão grande variedade.
Teu amor, que me obriga, te condena,
Que como não tens livre a liberdade,
Não me podes prender o amor, Filena.