COM ESTE ROMANCE MANDOU O POETA POR INTERPRETE ENCARECEDOR DO QUE NELLE SE EXPRE...

By Gregório de Matos Guerra

Entre, ó Floralva, assombros repetidos

É tal a pena, com que vivo ausente,

Que palavras a vós me não consente,

E só para sentir me dá sentidos.

Nos prantos, e nos ais enternecidos

Dizer não pode o peito o mal, que sente,

Pois vai confusa a queixa na corrente,

E mal articulada nos gemidos.

Se para o meu tormento conheceres

Não basta o sutil discurso vosso,

A dor me não permite outros poderes.

Vede nos prantos, e ais o meu destroço,

E entendei o mal, como quiseres,

Que só sei explicá-lo, como posso.