COMO A NÃO PODE DE NENHUMA SORTE ALCANÇAR À DESCOMPÕE EM DÉCIMAS.

By Gregório de Matos Guerra

A Cabra de Cajaíba

serva do Padre Simão

é grandíssimo putão,

e no virgo inda se estriba:

virgo abaixo, virgo à riba

já de escutá-la me encalmo,

pois enquanto reza um salmo

o Padre entre os arvoredos,

sai com virgo de três dedos,

e entra com virgo de palmo.

A Cabra é puta cambaia,

e em sentindo o membro a vela

por fingir, que inda é donzela,

quando fode, se desmaia:

faminta discorre a praia,

que chamamos o Apicu,

e topando um negro nu,

o visita como amigo

ela a ele a par do embigo,

ele a ela a par do cu.

Sobre toda esta fodenga

de membros como pivetes,

se lhe fala um Branco em fretes

co’a donzelice o derrenga:

e depois que a muita arenga

a tem convencido já,

lhe responde, que ela irá,

e indo, ela manda dizer,

que para o Padre beber

pisando está carimá.

Maldito seja tal caldo,

e tal mingau de Aratus,

que boto a Deus, e a Jesu,

que de ouvi-lo só me escaldo;

tanta pimenta rescaldo,

tanta manipuba impressa

no vão da tal boa peça,

na tal puta Jacutinga

faz, com que sobre a catinga

a manipuba me fessa.

Ela a manipuba fede,

ela fede a carimá

e me fede a Cabra já

sobretudo, porque pede:

pede, e diz, que o que lhe impede

fazer as suas sortidas,

são duas fraldas cosidas,

e um cabeção para a praia,

e sempre pede uma saia

para fazer as saídas.

Serve a negros de investir

com tamanho pé-de-banco,

e quer a Cabra, que um Branco

sirva o dar-lhe de vestir:

Para o puto que rustir

tal concerto, e tal partido,

que eu sem ter leso o sentido

não posso ser tão sendeiro

que despenda o meu dinheiro

por um fedor tão fodido.