COMO NÃO PÔDE O POETA LOGRAR, LHE DIZIA ESTAS, E OUTRAS INJURIAS, COMO O FOY O S...
Não posso cobrar-lhes medo,
Joana, aos vossos focinhos,
que como sois tão formosa,
cede à verdade o fingido.
Tanta olhadura através
tanto focinho torcido,
tanto pescoço empinado,
tanto esguelhado beicinho:
São modos tão estrangeiros,
alheios, e peregrinos
das perfeições naturais
do vosso rosto divino;
Que jamais podem fazer
no meu peito amante, e fino
retorceder as tenções,
nem arribar os desígnios.
Sempre caminhando avante,
nunca deixando o caminho
ando atrás de ver, se posso
chegar a vosso cativo.
Se me ferrais esta cara
cum favorzinho de riso,
me hei de rir de farto então
do mundo, e seus regozijos.
Hei de pôr-me a rir então
de sorte, que a riso fito
me hão de ter em todo o orbe
por Demócrito dos risos.
Olharei para Beleta,
e me rirei dos meninos,
que a andam sempre beliscando
qual Mona com seus bugios.
Olharei para Apolônia,
e de a ver entre os corrilhos
de tanta canastra honrada,
que é a nobreza do sítio.
Rirei de ver cada um
ir-se daqui despedido,
entonces mais carregado,
porque entonces mais vazio.
A eles pelas estradas
suspirando pelo sítio,
a ela pelos oiteiros
zombando de tais suspiros.
A eles tomando o tole
para o sertão fugitivos,
tanto fugindo dos anos,
como da conta fugindo.
A ela por capoeiras
estreando cos meninos
a baetinha dos pobres
a Serafina dos ricos.
Para a Úrsula olharei
e rirei de a ver no Sítio
parafusando caralhos
pela tarraxa do embigo.
Rirei de versos amantes,
rirei de ver os queridos,
que tendo-se por ditosos,
são em seus gostos mofinos.
E só feliz eu serei,
se logro os vossos carinhos,
e me plantais nesta cara
da vossa boca um beijinho.
Tende-me na vossa graça,
e a queixa se torne em riso,
a malquerença em amor,
e o desfavor em carinho.