COMO O NÃO QUIS ADMITIR, A DESCOMPÕE NO SEGUINTE SONETO.
Beleta, a vossa perna tão chagada
Olha poderá ser pelo podrida,
Mas eu não quero Olha em minha vida
Podrida pelo mal inficionada.
Estais tão lazarenta, e empestada,
Tão ética, mirrada, e corcomida,
Que uma pilhancra vossa bem moída
Servirá de peçonha refinada.
O que vos gabo é ser presuntuosa
Em tal camalidade, em tal miséria,
Como se a podridão fora formosa.
Mas se o acaso vos dói, Dona Lazéria,
O gume deste verso, ou desta prosa,
Sabei que o vosso humor deu a matéria.