COMO O NÃO QUIS ADMITIR, A DESCOMPÕE NO SEGUINTE SONETO.

By Gregório de Matos Guerra

Beleta, a vossa perna tão chagada

Olha poderá ser pelo podrida,

Mas eu não quero Olha em minha vida

Podrida pelo mal inficionada.

Estais tão lazarenta, e empestada,

Tão ética, mirrada, e corcomida,

Que uma pilhancra vossa bem moída

Servirá de peçonha refinada.

O que vos gabo é ser presuntuosa

Em tal camalidade, em tal miséria,

Como se a podridão fora formosa.

Mas se o acaso vos dói, Dona Lazéria,

O gume deste verso, ou desta prosa,

Sabei que o vosso humor deu a matéria.