Comparando

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Bem velhinho que estás e ainda trabalhas tanto,

Com a rede pesada, às costas, noite e dia.

Mas, às vezes, recorda a tua rede um manto

De ouro, onde a vaga azul deixou sua ardentia.

Que riquezas no mar! Mas és pobre, entretanto!

Tens o peito cansado, e nenhuma alegria

Pela tua alma voa! E ali, naquele canto,

A tua casa lembra uma velha enxovia...

Tenho pena de ti, meu querido velhinho.

E quando vais descendo esse austero caminho,

E entras do largo mar na formidável lida,

Fico logo a cismar que bem igual a tua

Pesadíssima rede é a minha cruz, na rua

Dolorosa e sem fim das misérias da vida.