CONGRESSO DOS LAVRADORES
Pois que só ao cafeísta
dá-se entrada no congresso,
eu, plantador de batatas,
de fora a palavra peço.
Nobre Senhor Presidente,
Ministro da Agricultura,
felicitar a lavoura
louvarei a quem procura.
Assim ouça Vosselência
meu elogio sincero,
e conceda faculdade
para eu dizer o que quero.
obedeço às vozes de ordem,
pois, como filho de Minas,
não devo ser mais pintado
que o vigário de Campinas.
Em seu maduro improviso,
suculento, sem bagaços,
disse o compadre Manduca
que à lavoura faltam braços.
E eu ajunto causa digna
de luminárias eternas:
os braços não faltariam,
se não sobrassem as pernas.
E com efeito estas enchem
as ruas, becos e praças,
sendo mãe a ociosidade
dos vícios e das desgraças.
Na mente do Alferes Quincas
o capital é que falta,
porém cá no meu bestunto
eis que esta razão me assalta:
Convençam-se os lavradores!
O seu excessivo luxo
é o mais funesto dos males
para a bolsa e para o bucho.
Não há tal falta de braços,
nem mais dinheiro é preciso;
nobre Senhor Presidente,
o que nos falta é juízo.