CONSOLADO
Nunca mais te ouvirei as aliciantes falas,
Branco cisne taful
Nem terei o hidromel dos beijos com que embalas
A alma num berço azul!
Nunca mais te unirei ao peito em doce abraço
Sob os astrais faróis!
O meu castelo veio abaixo num fracasso
De estrelas e de sóis.
Tudo está findo, tudo! Adeus, miragem linda!
Adeus, loira ilusão!
Adeus... porque hei de amar em breve outras ainda...
Não morre o coração...
Quantas mulheres tenho amado! Quinze ou vinte!
Só vinte? Muito mais!
E todas, como tu, brilharam num requinte
De graças virginais.
Natália, Dulce, Ester, Lavínia, Fúlvia, Ofélia
— Flores do meu jardim —
De bocas de papoula e colos de camélia
E pomas de jasmim...
Primeiramente amei uma mulher por ano,
Depois — uma por mês,
E a todas consagrei o mesmo afeto insano:
A ti maior, talvez...
Quem perde uma ilusão ridente nada perde:
Pois outras ilusões
Se abrem no coração, que é uma roseira verde
Coberta de botões!