CONSOLADO

By Gustavo de Paula Teixeira

Nunca mais te ouvirei as aliciantes falas,

Branco cisne taful

Nem terei o hidromel dos beijos com que embalas

A alma num berço azul!

Nunca mais te unirei ao peito em doce abraço

Sob os astrais faróis!

O meu castelo veio abaixo num fracasso

De estrelas e de sóis.

Tudo está findo, tudo! Adeus, miragem linda!

Adeus, loira ilusão!

Adeus... porque hei de amar em breve outras ainda...

Não morre o coração...

Quantas mulheres tenho amado! Quinze ou vinte!

Só vinte? Muito mais!

E todas, como tu, brilharam num requinte

De graças virginais.

Natália, Dulce, Ester, Lavínia, Fúlvia, Ofélia

— Flores do meu jardim —

De bocas de papoula e colos de camélia

E pomas de jasmim...

Primeiramente amei uma mulher por ano,

Depois — uma por mês,

E a todas consagrei o mesmo afeto insano:

A ti maior, talvez...

Quem perde uma ilusão ridente nada perde:

Pois outras ilusões

Se abrem no coração, que é uma roseira verde

Coberta de botões!