Contando os astros

By Juvêncio de Araújo Figueredo

À noite, da janela os astros conto

Seguidamente. Conto-os devagar,

Esquadrinhando o azul, ponto por ponto,

Perdendo nesse espaço o próprio olhar.

Às regiões longínquas me remonto,

Buscando um astro para me amparar,

Quando eu, ébrio, embriagado, tonto,

Vir a morte amorosa me acenar...

Busco, dos astros belos, o mais belo.

Na glorificação do Sete-Estrelo,

Pelos séculos a fora, definida...

Mas um assombro frio se me ocorre,

Sobre o fatal destino de quem morre

Sem haver compreendido a própria vida.