CONTINUA O POETA COM ESTE ADMIRAVEL A QUARTA FEYRA DE CINZAS.

By Gregório de Matos Guerra

Que és terra Homem, e em terra hás de tornar-te,

Te lembra hoje Deus por sua Igreja,

De pó te faz espelho, em que se veja

A vil matéria, de que quis formar-te.

Lembra-te Deus, que és pó para humilhar-te,

E como o teu baixel sempre fraqueja

Nos mares da vaidade, onde peleja,

Te põe à vista a terra, onde salvar-te.

Alerta, alerta pois, que o vento berra,

E se assopra a vaidade, e incha o pano,

Na proa a terra tens, amaina, e ferra.

Todo o lenho mortal, baixel humano

Se busca a salvação, tome hoje terra,

Que a terra de hoje é porto soberano.