CONTINUA O POETA EM LOUVAR A SOLEDADE VITUPERANDO A CORTE.

By Gregório de Matos Guerra

Ditoso aquele, e bem aventurado,

Que longe, e apartado das demandas

Não vê nos tribunais as apelandas,

Que à vida dão fastio, e dão enfado.

Ditoso, quem povoa o despovoado,

E dormindo o seu sono entre as Holandas

Acorda ao doce som, e às vozes brandas

Do tenro passarinho enamorado.

Se estando eu lá na Corte tão seguro

Do néscio impertinente, que porfia,

A deixei por um mal, que era futuro;

Como estaria vendo na Bahia,

Que das Cortes do mundo é vil monturo,

O roubo, a injustiça, a tirania.