CONTO
Clarinha, à mamãe, chorosa,
Conta o que lhe aconteceu:
“Eu ia silenciosa...
Um homem me apareceu...
Estava deserta a estrada,
E não passava ninguém...
Parei, pálida e assustada:
Ele parara também...
Houve um silencio de morte,
Um espanto entre nós dois...
Depois... como ele era forte...
E eu era fraca... depois...”
“Clara! você me consome!
(Brada a velha com furor)
Declare-me já o nome,
O nome do sedutor!”
“Não sei...” E, no seu desgosto,
Na sua atrapalhação,
Chora... “Porém, viu-lhe o rosto?
Viu o rosto do vilão?”
“Não vi! tudo estava escuro...
Escuro... não vi!... não sei!
E demais, n’aquele apuro,
Não foi p’ra o rosto que olhei...”