CONTO

By Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Clarinha, à mamãe, chorosa,

Conta o que lhe aconteceu:

“Eu ia silenciosa...

Um homem me apareceu...

Estava deserta a estrada,

E não passava ninguém...

Parei, pálida e assustada:

Ele parara também...

Houve um silencio de morte,

Um espanto entre nós dois...

Depois... como ele era forte...

E eu era fraca... depois...”

“Clara! você me consome!

(Brada a velha com furor)

Declare-me já o nome,

O nome do sedutor!”

“Não sei...” E, no seu desgosto,

Na sua atrapalhação,

Chora... “Porém, viu-lhe o rosto?

Viu o rosto do vilão?”

“Não vi! tudo estava escuro...

Escuro... não vi!... não sei!

E demais, n’aquele apuro,

Não foi p’ra o rosto que olhei...”