Contraste

By Delminda Silveira de Sousa

Ia morrendo a tarde docemente...

N’alcova, — um berço de mimosa tela,

era banhado da mortuária vela

pelo triste palor frouxo, fremente.

Um anjo dorme ali profundamente...

meu Deus! meu Deus! que frio atroz o gela!...

Chora, ao pungir da dor mais funda e bela,

A mãe que o beija num delírio ardente!

Mas, enquanto assim geme angustiada,

abre-se a azul, celestial morada,

trazem os querubins c’roas de flores;

e, cantando, transportam a alma ditosa,

que irradia da luz maravilhosa

da graça, entre celestes esplendores!