CONVALESCENTE

By Emílio Nunes Correia de Meneses

Triste alegria a da convalescença!

Dessa alegria os poetas falam tanto,

Que quem os lê fica a pedir a doença,

Prenúncio triste desse alegre encanto.

Eu, somente, não vejo o que me vença

Este mole. este insípido quebranto,

Sem uma só emoção vívida, intensa.

Sem nada que me cause ódio ou espanto.

A própria guerra que conflagra o mundo,

Não me sacode mais na voz de um hino

Que eu estava a compor grave e profundo.

Sinto que estou no vácuo. Até imagino,

Vendo-me assim vazio, oco e infecundo,

Que estou dentro do crânio do Aurelino.