CORAÇÃO DEFUNTO

By Gustavo de Paula Teixeira

Crianças virginais de bocas perfumadas

Como os rosais em flor, como o coral das rosas,

Anjos de asas de arminho, humanas alvoradas

De voz de rouxinol e tranças ondulosas:

Não tenteis reviver as ilusões doiradas

Do meu passado azul sepulto entre mimosas!

Dentro desta alma envolta em névoas condensadas

Já nem um sonho agita as plumas luminosas!

Por que vindes cantar neste sepulcro às bordas

Onde só vêm pousar noturnas borboletas?

Quem logrará tanger um bandolim sem cordas

Debalde me volveis dulcíssimos olhares!

Pois neste coração, onde esfolhais violetas,

Reina o inverno glacial das solidões polares!