CORNÉLIO

By Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

Era casado um gabola

Com um pancadão de mulher,

Que lhe punha tonta a bola

Por isso que eu vou dizer:

Cornélio (era este o seu nome)

Em triste jejum vivia

Porque embora tendo fome,

Nem um bocado comia.

Todo o mundo assegurava

Sua pesada abstinência,

E Cornélio tolerava

Tudo com santa paciência.

E a mulher sempre mais bela,

Cornélio com mais jejum,

Quando vem, sem mais aquela,

Um filhinho, apenas um.

Cornélio a todos se gaba,

Cornélio é todo pimpão.

(Quase que esta história acaba

Como a da gralha e o pavão).

Dizia Cornélio: — “Vamos,

Que têm agora a dizer?”

E eles: — “Nós não duvidamos

Nunca da tua mulher.”