CORRESPONDEO A MOÇA COM HUM GRANDIOSO PRESENTE DE DOCES, QUE NA CAJAIBA DEVORÁRA...
Para mim, que os versos fiz
de graça, um só doce basta,
mas já sei, que sois de casta
de fazer doces gentis:
e pois a fortuna quis
dar-me em prêmio esta fartura,
pintando uma formosura,
agora por nova empresa
digo da vossa grandeza,
que sois ávida doçura.
Veio a frota da Guaíba,
entrou, e tomando terra,
achou duas naus de guerra
de combói té a Cajaíba:
estava eu vendo de riba
o Serigipe famoso,
quando vi com vento airoso
vir entrando pela barra
por cabo Inácio Pissarra,
e por fiscal João Cardoso.
Toda a Ilha se alvoroça
adivinhando a fartura,
porque esta vida doçura
já fora esperança nossa:
toda a artilharia grossa,
com que esta terra guardamos,
entre vivas disparamos,
e toda a gente de pé
cos olhos em Marapé
vi gritar “a ti bradamos.”
Partiu-se o doce excelente,
em que os presentes têm parte,
que entre ausentes não se parte,
o que veio de presente:
cada um se foi contente
velhos, mancebos, meninos,
e estão em rogos continos
pedindo co’a boca toda,
que o doce façais de boda,
para que sejamos dignos.