CORRESPONDEO A MOÇA COM HUM GRANDIOSO PRESENTE DE DOCES, QUE NA CAJAIBA DEVORÁRA...

By Gregório de Matos Guerra

Para mim, que os versos fiz

de graça, um só doce basta,

mas já sei, que sois de casta

de fazer doces gentis:

e pois a fortuna quis

dar-me em prêmio esta fartura,

pintando uma formosura,

agora por nova empresa

digo da vossa grandeza,

que sois ávida doçura.

Veio a frota da Guaíba,

entrou, e tomando terra,

achou duas naus de guerra

de combói té a Cajaíba:

estava eu vendo de riba

o Serigipe famoso,

quando vi com vento airoso

vir entrando pela barra

por cabo Inácio Pissarra,

e por fiscal João Cardoso.

Toda a Ilha se alvoroça

adivinhando a fartura,

porque esta vida doçura

já fora esperança nossa:

toda a artilharia grossa,

com que esta terra guardamos,

entre vivas disparamos,

e toda a gente de pé

cos olhos em Marapé

vi gritar “a ti bradamos.”

Partiu-se o doce excelente,

em que os presentes têm parte,

que entre ausentes não se parte,

o que veio de presente:

cada um se foi contente

velhos, mancebos, meninos,

e estão em rogos continos

pedindo co’a boca toda,

que o doce façais de boda,

para que sejamos dignos.