Corvo!

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Corvo sinistro, que se me apresentas,

Melancólica ave taciturna,

Que tens nas penas a visão noturna

Das frias luas-novas agourentas!

Corvo, corvo sinistro, das nevoentas

Plagas não sei de que esquecida furna,

Onde jamais cantava a luz diurna,

E sim a treva augúrea que alimentas!

Ó ave triste, que nas penas trazes

Todo o luto fatal dos satanases

Que buscam devorar um peito ansiado!

Responde, ó ave triste! ó luto eterno!

Serás um sonho que surgiu do inferno?

Serás o tédio corporificado?