COUSAS

By Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

Naquela casa do morro,

Pintadinhá de amarelo,

Vivia Aninha Chichorro.

Seu marido, o Florisbelo,

Ciumento como um cachorro,

Tinha urna cara de Otelo.

A ver-lhe a infidelidade,

Preferia vê-la morta!

— E quando vinha à cidade,

Descendo a ladeira torta,

Lá deixava em liberdade

Quatro cães de fila à porta

Mas a casa tinha fundos...

Sempre se engana a prudência

De maridos furibundos!

Rosnava a maledicência

Que... — São desígnios profundos

Da Divina Providência!

E o Florisbelo, coitado,

De ciúmes consumido,

Vivia tonto e enganado:

Pois era (pobre marido!)

Pela frente respeitado,

Mas pelos fundos traído.