Crença

By João da Cruz e Sousa

Filha do céu, a pura crença é isto

Que eu vejo em ti, na vastidão das cousas,

Nessa mudez castíssima das lousas,

No belo rosto sonhador do Cristo.

A crença é tudo quanto tenho visto

Nos olhos teus, quando a cabeça pousas

Sobre o meu colo e que dizer não ousas

Todo esse amor que eu venço e que conquisto.

A crença é ter os peregrinos olhos

Abertos sempre aos ríspidos escolhos;

Tê-los à frente de qualquer farol

E conservá-los, simplesmente acesos

Como dois fachos — engastados, presos

Nas radiações prismáticas do sol!