Crente

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Luz doce, a desse sol: — trigo em pó, peneirado

Sobre os campos em flor e sobre o mar... Bendito

Trigo da eterna mó do moinho sagrado,

Para alento de quem na fome vive aflito.

E é todo um vinho bom, um vinho perfumado,

A água verde do mar; e a que sobre o granito

Dos morros corre, à sombra; ou sobre o descampado,

Na harmonia suprema e eterna do infinito.

Com tanto trigo em pó e tanto vinho claro,

Só se alegram, no entanto, em pleno mundo avaro,

Os simples corações dos humildes, dos justos,

Que na praia, ou no campo, alegremente vejo

Cheios de amor e crença e cheios do desejo

De subirem, depois, aos altos céus vetustos.