Crente
Luz doce, a desse sol: — trigo em pó, peneirado
Sobre os campos em flor e sobre o mar... Bendito
Trigo da eterna mó do moinho sagrado,
Para alento de quem na fome vive aflito.
E é todo um vinho bom, um vinho perfumado,
A água verde do mar; e a que sobre o granito
Dos morros corre, à sombra; ou sobre o descampado,
Na harmonia suprema e eterna do infinito.
Com tanto trigo em pó e tanto vinho claro,
Só se alegram, no entanto, em pleno mundo avaro,
Os simples corações dos humildes, dos justos,
Que na praia, ou no campo, alegremente vejo
Cheios de amor e crença e cheios do desejo
De subirem, depois, aos altos céus vetustos.