Crepuscular

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Ouro em barra, cristais, sardônicas, berilos,

Nas orgias da luz... Eis a tarde que desce

Por sobre a nitidez dos riachos tranquilos

E por sobre a esplanada, onde a relva floresce.

À sombra do arvoredo, ouvem-se alegres trilos

De aves, dessas que o ninho empenujado aquece.

O vagalume esvoaça; e despertam-se os grilos...

Tange o sino da ermida, evocando uma prece.

E a tarde vem descendo, amorosa, amorosa,

Como se fosse uma asa enorme e silenciosa,

Para tudo abranger, desde os campos ao mar,

E, piedosa, envolver as almas dos eleitos,

Que se esquecem da luta e vivem satisfeitos

Na glorificação da luz crepuscular!