Cristo e a adúltera

By João da Cruz e Sousa

Sente-se a extrema comoção do artista

No grupo ideal de plácida candura,

Nesse esplendor tão fino da escultura

Para onde a luz de todo o olhar enrista.

Que campo, ali, de rútila conquista

Deve rasgar, do mármore na alvura,

O estatuário — que amplidão segura

Tem — de alma e braço, de razão e vista!

Vê-se a mulher que implora, ajoelhada,

A mais serena compaixão sagrada

De um Cristo feito a largos tons gloriosos.

De um Nazareno compassivo e terno,

D’olhos que lembram, cheios de falerno,

Dois inefáveis corações piedosos!